COVID-19

Cheguei de viagem em março, quando o coronavírus estava deixando de ser apenas um assunto de noticiário para se tornar protagonista na vida dos brasileiros.

Em meio ao pânico geral da época, resolvi aderir ao isolamento voluntário. O que se pensava é que se tratava de algo temporário e, possivelmente, rápido. E que se todos ficassem em casa, o vírus logo não teria mais quem contaminar e sumiria.1 Tão logo as coisas se acalmassem, todos poderiam voltar a circular em um mundo livre do vírus. Mas aí me veio a pergunta: como vou decidir que as coisas se acalmaram?

Para nortear essa decisão, procurei dados sobre a evolução diária de novos casos, mortes e recuperação de infectados. Minha ideia inicial era colocá-los em uma planilha para acompanhar diariamente, mas depois pensei que essa informação poderia ser de utilidade pública e resolvi disponibilizá-la aqui como um post que foi atualizado desde 18 de março até o dia 2 de setembro.

Utilizei dados divulgados pelo Centro de Sistemas de Ciência e Engenharia da Johns Hopkins University nos Estados Unidos a partir dos dados oficiais de cada país. Muita gente questiona a veracidade dos dados oficiais. Eu mesmo comecei a duvidar cada vez mais deles. De início, achava que não eram 100% precisos por dificuldades técnicas em se apurar o alcance de algo tão novo e inesperado. Não havia testes o suficiente no Brasil, e muitos óbitos foram registrados como decorrentes de COVID-19 com base apenas nos sintomas, sem qualquer teste.

Com o tempo, comecei a achar que, apesar de os números ainda servirem para termos uma ideia da situação, não se tratava mais de erro, mas de manipulação intencional de dados no sentido de fazer parecer que o impacto da pandemia era mais grave na sociedade do que realmente era. Histórias muito estranhas começaram a surgir, entre elas:

É bem verdade que explicações a posteriori começaram a surgir em resposta a esses estranhos acontecimentos: o hospital ainda não estava pronto (isso nunca havia sido dito antes de se descobrir que ele estava vazio), imunidade de rebanho (que não era levada em conta nas previsões iniciais), redução nas mortes violentas por conta das pessoas estarem em casa (seria muita coincidência que o número dessas mortes poupadas fosse tão próximo do número de mortos por COVID-19 que um cancelasse o outro), e por aí vai.

Como eram divulgados os números de mortos pelo coronavírus.

Nenhuma dessas explicações me convence.

Hoje penso que esses números não têm qualquer correlação com a realidade. Se realmente refletem o número de infectados e mortos em cada período, é mero acaso. Não sabemos quais são os números reais, e os números oficiais não servem nem de indicativo. Por isso decidi remover todos os dados anteriormente divulgados neste post.

As únicas certezas que tenho são que o impacto na saúde das pessoas em geral não foi nem sombra do que se imaginava em março e abril; o impacto econômico, tanto do COVID-19 em si como também das medidas tomadas em resposta, ainda é desconhecido mas claramente será muito maior; e como frequentemente acontece, o uso político do desastre causou mais danos do que o próprio desastre.

Felipe é economista e libertário. É também fundador da Academia Liberalismo Econômico. Além da Academia Liberalismo Econômico, seu trabalho já apareceu no Instituto Mises Brasil, na Foundation for Economic Education, no Instituto Liberal, entre outros.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *